quinta-feira, 28 de agosto de 2008

5 AM

Acordado!
Despertado!
As 3 AM.
Penso na vida como nunca mais havia pensado.
Dois dedos de uísque e meus olhos muito bem acordados.
Você é discreta, incrivelmente discreta.
Acordado!
As 4 AM.
Eu disse para mim mesmo:
“Tenho que parar”.
Eu pensei em seus lábios, eu pensei.
Juro.
Mas você anda contando os dias
Querendo ir embora, sei lá.
Disse que era outra cidade,
outra vida,
outra paixão.
Eu aqui, bobo como sempre.
Cheio de sentimentos, cheio de amor.
Você indo embora.
Me deixando,
Sem seus beijos,
Fico em prantos.
Acordado!
Desperto
As 5 AM.
Tento nunca mais chorar por você.
Nunca mais pedir para te ver.
Mas fazer o quê?
“Eu amo você”.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

88 - conhaque

Dia desses me perdi em desespero.
Noites inteiras de solidão numa partida quase que distante da realidade, me escondendo pelos cantos e cantos da cidade.
Dia desses me perdi.
Achei que a vida andava chata demais e até quis ir embora, mas nem fazia tanto sentido assim (ou fazia?).
Dia desses olhei para o passado, coisas que deram certo, coisas que deram erradas e apenas as coisas. Olhares simples, mãos desajeitadas, amores impossíveis e duas doses de conhaque.
Andei por ai, perdido em cobertores baratos de camas do subúrbio, meninas que foram, as que ainda são e aquela que mexe comigo.
Dia desses me perdi no passado, mas nunca consegui descobrir o que foi que fiz, pra você, de errado.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

gardênias

você vai,
eu fico triste.
você não vem
tudo é ausente
é falta de ar
é verdade que não mente
você diz até mais
eu sei que tem que ir
mas não quero mais
ver você partir.

tão distante
eu sei
tão perto
eu sinto

rosas,
margaridas,
e gardênias.
flores
com sua beleza
beleza inconfundível
que me faz pensar
você é da realeza

rosas,
margaridas,
e gardênias.
você vai
eu fico
mas um dia
de perto
te sinto.

terça-feira, 3 de junho de 2008

outono em paris

Ontem ouvi teorias sobre a vida,
em um longo papo sobre pipocas.
Ouvir dizer que as pessoas se adaptaram ao que se recebe
e que aquele pote de pipoca enorme do cinema não tem sentido.
Mas qual graça teria o cinema sem pipoca?
E que graça teria a vida sem você agora?

Ontem ouvi teorias sobre a vida que roda para todos os lados.
Braços entreabertos e olhares desajeitados.
Um choro no riso afogado,
em lágrimas pelo amor tão distanciado.
Ontem eu ouvi durante horas apenas sua voz.
Acompanhado por um copo de mate e um bando de pães de queijo.
Ontem eu quis te mostrar como é viver.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

white horse scotch wisky

“Uma dose”
“...”
“Do uísque mais barato”.
Sonhei com ela essa noite, isso me deu um tédio danado. Sonhos estranhos em um lugar que nunca tive antes, um lugar distante do meu passado. Passado que parece nunca acabar, que parece ter me abandonado.
“Era sim, era ela mesma”
Olhei para todos os lados, nada parecia se mexer, nada no futuro foi alterado. Ilusões perdidas em cobertas de um motel barato. Sonhos destruídos em noites que paguei por algum trato. E dinheiro gasto em coisas que me deixaram com o corpo acabado.
“Mais uma dose”?
“Não! Hoje eu não quero ter meu sonho roubado”.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Para o Inverno

Ontem te tomei às doses…

Calma e lentamente, como quem toma um uísque importado, da China ou do Paraguai. Te procurei no frio. No inverno…

Sozinho.

Ontem te fumei aos tragos. Jogando cada desejo seu para fora; em fumaças. Em desejos repentinos. Em loucuras. Tragando aos poucos como o forte cigarro filtro vermelho, apagando cada guimba junto com cada desejo.

Ontem te supliquei aos prantos e descobri que de verdade estou te amando.